IDNAP: Anamnese Neurodesenvolvimental Dimensional Integrada
A entrevista inicial deixa de ser coleta de história e passa a ser a primeira medida do perfil: sete domínios operacionalizados, com pontuação e índices de discrepância.
O problema
A anamnese é a etapa menos padronizada da avaliação
Investe-se muito na padronização dos testes e quase nada na da entrevista que os antecede. O resultado é que a etapa que mais influencia as hipóteses, e portanto a escolha dos instrumentos, é também a mais dependente do estilo de quem aplica. Dois profissionais competentes saem da mesma primeira sessão com mapas diferentes.
O IDNAP foi construído para corrigir isso: transformar a anamnese em um instrumento com estrutura, pontuação e saída interpretável, sem perder a abertura clínica que uma entrevista precisa ter.
A estrutura
O que o protocolo operacionaliza
- Sete domínios sob HiTOP e RDoC. A entrevista é organizada pelos eixos dimensionais, não pelas categorias diagnósticas, o que evita que a coleta já venha enviesada pela hipótese.
- Trajetória do neurodesenvolvimento. Marcos, ordem de aparecimento e, sobretudo, o ponto em que a trajetória divergiu. A idade em que algo aparece diz mais que a presença do sinal.
- Assimetria entre domínios. Não o nível absoluto de cada área, mas a distância entre elas. É a assimetria que identifica perfis que o nível médio esconde.
- Variabilidade intraindividual. Quanto o desempenho da pessoa oscila entre contextos e ao longo do tempo. Marcador que separa déficit estável de disfunção dependente de estado.
- Sensibilidade à carga. O ponto em que o funcionamento desmonta quando a demanda aumenta. Muita gente parece bem até uma carga específica, e o protocolo procura onde fica esse limite.
- Estratégias compensatórias. O que a pessoa já construiu para contornar a dificuldade. Frequentemente é isso que mascara o quadro, e é isso que se perde quando a carga sobe.
- Articulação com traço e patologia de traço. A entrevista já é desenhada para conversar com os inventários de personalidade normal e maladaptativa aplicados depois.
Nove índices de discrepância
O diferencial técnico do protocolo está aqui. Em vez de gerar apenas escores por domínio, o IDNAP calcula discrepâncias: entre relato e observação, entre domínios, entre contextos, entre trajetória esperada e observada. É a discrepância, e não o escore, que aponta onde investigar.
Onde entra
Primeira etapa, não etapa isolada
O IDNAP é a primeira etapa da avaliação neuropsicológica completa. A saída dele, o perfil preliminar por domínios e as discrepâncias sinalizadas, é o que define quais instrumentos serão aplicados nas etapas seguintes. Uma avaliação que aplica a mesma bateria para todo mundo não precisa de uma anamnese estruturada; uma avaliação que escolhe os testes pela hipótese, precisa.
Interesse no protocolo?
Para colegas que queiram discutir aplicação, adaptação ou colaboração em validação.
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