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Psicodiagnóstico

Quando a pergunta já tem um recorte.

Nem toda investigação exige catorze horas de bateria. Quando a dúvida é específica. É TDAH ou é ansiedade? é autismo? é burnout ou é depressão?, a investigação pode ser mais curta e mais direta, sem deixar de ser rigorosa.

A diferença

Psicodiagnóstico ou avaliação neuropsicológica?

São dois processos distintos, e escolher o errado custa tempo e dinheiro. A diferença não é de profundidade, é de tipo de pergunta.

Psicodiagnóstico

A pergunta é fechada. Existe uma hipótese sobre a mesa e ela precisa ser confirmada, descartada ou substituída.

  • "Fui diagnosticado com TDAH aos 30. Procede?"
  • "Minha filha foi encaminhada com suspeita de TEA."
  • "Estou de licença. É burnout ou é depressão?"
  • "Preciso de um documento para a escola."

Avaliação neuropsicológica

A pergunta é aberta. Não se trata de confirmar um rótulo, mas de mapear como a pessoa funciona por inteiro.

  • "Por que ele não aprende, se é inteligente?"
  • "Algo mudou na minha memória depois do AVC."
  • "Quero entender por que travo sempre no mesmo ponto."
  • "Preciso de um plano de reabilitação."

Na dúvida, não é preciso decidir sozinho. O primeiro contato serve exatamente para dizer qual dos dois responde à sua pergunta, e, às vezes, a resposta é que nenhum dos dois responde, e o encaminhamento é outro.

O processo

Cinco etapas

Tipicamente entre três e seis encontros, conforme o recorte e os instrumentos necessários.

1

Entrevista clínica ampliada

História, contexto, funcionamento atual: e, sobretudo, o que motivou a pergunta agora. Uma suspeita que surge aos 8 anos e uma que surge aos 38 pedem investigações diferentes, mesmo que o nome da hipótese seja o mesmo.

2

Entrevista estruturada

Percorre os critérios diagnósticos de forma sistemática, com roteiro validado. É o que evita os dois erros simétricos: o diagnóstico apressado, dado por semelhança superficial, e o quadro que passa despercebido porque ninguém perguntou.

3

Leitura dimensional por cima da categórica

O critério diagnóstico diz se você cruza um limiar, sim ou não. A leitura dimensional diz onde você está no contínuo, em cada domínio. É essa segunda leitura que orienta o tratamento, porque duas pessoas que cruzam o mesmo limiar podem estar em pontos muito distintos.

4

Instrumentos escolhidos pela hipótese

Escalas e provas específicas para o recorte em questão, não uma bateria padrão aplicada a todo mundo. Quando a investigação exige avaliação cognitiva ampla, isso é dito e a mudança de escopo é combinada antes. Não descoberta na conta.

5

Devolutiva e parecer

A conclusão, o raciocínio que levou até ela, inclusive o que foi descartado e por quê, e o que fazer a seguir. A devolutiva é feita em encontro, não entregue por e-mail.

Documentos

Pareceres para terceiros

Quando o documento precisa circular, ele é redigido para o seu destino específico, com a fundamentação que aquele leitor precisa, e apenas as informações que aquele propósito exige. Um parecer para a escola não é um laudo pericial com a capa trocada.

Escola e ambiente educacional

Fundamentação para adaptação curricular, tempo estendido, ajuste de demanda e estratégias de sala. Escrito para ser lido por coordenação e professores, não por outro psicólogo.

Equipe médica

Síntese dos achados e das hipóteses para psiquiatra, neurologista ou pediatra que acompanha o caso, com a linguagem e o nível de detalhe que a interconsulta pede.

Trabalho e uso jurídico

Laudo com a estrutura formal exigida para fins probatórios ou para afastamento e readaptação, dentro das normas de documentos escritos do Conselho Federal de Psicologia.

Parecer de prática baseada em evidência

Quando a pergunta não é o diagnóstico mas a conduta: quais intervenções têm sustentação para aquele caso, com força de evidência e tamanho de efeito por intervenção, e quais escalas usar para monitorar a resposta.

Sobre sigilo. Todo documento que sai do consultório é acordado previamente com você quanto ao conteúdo, ao destinatário e ao propósito. Informação que não serve àquele propósito não entra no documento, mesmo quando é verdadeira. Os dados de avaliação ficam em sistema local, sob controle direto, não em serviço de nuvem de terceiros.

Método

O rótulo entra, mas não é a conclusão

Há uma crítica corrente e justa aos diagnósticos categóricos: a comorbidade é a regra e não a exceção, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem não compartilhar nenhum sintoma, e os limiares são, em boa medida, convenções. Tudo isso é verdade.

A conclusão que não se tira disso é que o diagnóstico deva ser abandonado. Um código diagnóstico abre porta para direito garantido em lei, adaptação escolar, licença, cobertura de plano e acesso a tratamento. Recusar-se a nomear, em nome de sofisticação teórica, costuma prejudicar justamente quem mais precisa do nome.

O que se faz aqui é não parar nele. O parecer traz o diagnóstico categórico onde ele é necessário e útil, e traz por baixo o perfil dimensional, em que domínios e com que intensidade, que é o que responde às perguntas que vêm depois: qual tratamento, em que ordem, e como saber se está funcionando.

O que este processo não faz. Não garante que a hipótese inicial será confirmada, em boa parte dos casos ela não é, e esse também é um resultado. Não substitui avaliação médica quando há suspeita de causa clínica, e nesses casos o encaminhamento é parte do trabalho. E não estabelece prognóstico: nenhuma avaliação psicológica prevê como alguém estará daqui a cinco anos.

Qual é a sua pergunta?

Se você não tem certeza se o caso pede psicodiagnóstico, avaliação completa ou outra coisa, o primeiro contato serve exatamente para isso.

Escolha o canal que preferir. Pelo WhatsApp a resposta costuma ser mais rápida; pelo Doctoralia você já vê os horários disponíveis.

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